segunda-feira, 14 de maio de 2007

Biografia

  • 13 de Novembro de 1926 - Nasce em Freixo-de-Espada à Cinta mas viveu os primeiros dias em S. Romão, Resende (local onde a mãe estava colocada como professora primária)
  • Passou toda a infância em Masouco e Freixo-de-Espada-à- Cinta
  • Em 1936 faz o exame de admissão aos Liceus, no Liceu Nacional de Bragança. Não frequenta o Liceu, é colocado no Seminário de Vinhais. Ainda antes de concluir o 1º ano dos liceus vai para Lisboa, estudar para o Colégio Moderno, situado na altura na Rua D. Carlos I. Completa o 3º Ano dos Liceus.
  • 1940- vai estudar para o Liceu Nacional de Bragança a partir do 4º ano, onde conclui o 6º ano.
  • 1942 - Vai viver para o Estoril, para casa dos padrinhos e frequenta o 7º ano, em Lisboa, no Liceu Passos Manuel, sem sucesso. Regressa ao Liceu Nacional de Bragança.
  • 1943- conclui o 7º ano de Românicas.
  • De novo em Lisboa vai trabalhar para o Jornal Novidades e para o Instituto de Meteorologia, onde trabalha na emissão do Boletim Meteorológico.
  • 1950-1951- Faz o serviço militar obrigatório em Mafra.
  • Casa-se a 8 de Setembro de 1951, com Maria dos Prazeres Alves, professora primária. Dessse casamento nascem três filhos: Alberto Manuel, Maria Luísa e José Júlio.
  • Posteriormente entra para o corpo de redacção do jornal O SÉCULO, onde esteve até 1960, momento em que vai trabalhar como locutor da RTP.
  • 1957- Trabalha como redactor no início da Rádio Televisão Portuguesa (RTP), sendo o 1º chefe de redacção.
  • Em 1958 recebe o prémio Literário Eça de Queirós, atribuído pelo Secretariado Nacional de Informação (SNI), com a obra A Última Estação.
  • 1959- Publica Madrugada Indecisa
  • 1960- Publica O Ninho da Onça
  • 1965- Conclui a Licenciatura em Filologia Românica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com a tese Trindade Coelho, o homem e a Obra seguindo a partir dessa data a carreira docente, tendo sido professor nos Liceus Passos Manuel, Camões e Padre António Vieira, mantendo em simultâneo o seu lugar no SNI
  • Morre a 28 de Setembro de 1969, no Hospital de Santa Maria, vítima de um Acidente Vascular Cerebral.
Deixou inédito o romance A FACE ILUMINADA

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Poemas

São longos os teus cabelos
Longa a saudade de alguém...
Nos teus olhos, estou a vê-los,
Os olhos da minha mãe.

Da minha mãe, adorada
Nos teus confundo o olhar
Os teus olhos são um sonho
Os dela um pesar.

Chorar em verso, cantar...
Lembrar em sonho escrevendo...
A vida me está devendo
Mais vida pr'a te adorar!

13.11.1968

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Loucura - Poema datado de Maio de 1948



Loucura

Ansiedade, é tudo quanto sinto.
O meu coração deseja só viver.
Quando a mim falo, parece-me que minto
Vejo que o meu destino hei-de esquecer.

Quando entro em mim, e vejo por instinto
Quanto já fui e quanto sou agora
Eu queria ser como já fui outrora
Raio de luz que agora vejo extinto.

Mas se ao destino tais causas vou buscar
A recompensa nem sempre me consola,
Antes atado a mim a ciciar
Sinto que me pesa esta cabeça tola.

Ora desvairo, ora, de génio um raio,
Me ilumina e me faz como antes era.
Já fui Outono, Inverno, Primavera,
Vede, leitores, em que abulia eu caio!

Ansiedade, é tudo quanto sinto
Revolta e medo, só do cruel destino
Porque ignoro, porque desatino
A tormenta em meu cérebro pressinto

Poema dedicado à mãe que faleceu em 1954

Quando o silêncio cai sobre mim
Ouço-te os passos tímidos
E o teu rufar de dedos
A medo
Na porta do meu quarto ;
E tu vens depois
Como uma lenbrança
Colocas-te ao meu lado
E todo o silêncio é mais profundo

Só não sei , mãe
Só não sei o que tu pensas
O que tu pensas de mim
Que só faço o que não quero
E longe pressinto, no meu desencanto,
A tua desaprovação.
E vejo-te triste como uma censura
Meneando a cabeça tão a teu jeito
Como numa impossível mudança
Numa conformação.

Mas ouve ,mãe
Ouve-me até ao fim sem olhos de sofrimento

Sem menear a cabeça
Sem remoques, sem desprezos pelas minhas ninharias

Ouve até ao limite das tuas forças
Até não poder conter-te de impaciência
Até poderes suportar
A voz que tu criaste e grita já
Como um processo no silêncio do meu pensar ;
Deixa a música por um momento
Deixa-a e despreza-a como parece que me desprezas

Deixa-me ouvir a voz das minhas culpas

Mas ouve ,mãe !
Eu fui uma criança sem carinhos
Tu sabes
Mas eu fui uma criança como as outras
Com desejo de brinquedos que eu fazia, afinal.
Com o sonho do irrealizado
Ou com o sonho de ver por dentro
Aquilo que os outros tinham realizado !
Eu fui assim ,um ser diferente
Mas pensava e sentia.